segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Animus Namorandi


Sei que minha profissão não é, nem de longe, das mais divertidas daquela listinha do “o que eu quero ser quando crescer”. Ser designer, jornalista, arquiteto, publicitário, psicólogo, ator/escritor/cantor/músico/bailarino, enfim, tudo e qualquer coisa é muito mais divertido do que ser advogado. Dizem...
Mas se tem uma coisa com a qual eu me divirto neste mundinho “Direito” – sem considerar o fato de ter que me dirigir a um senhor com um longo vestido preto, em pleno ano 2007, com a pompa de um “Pela ordem, Vossa Excelência poderia me conceder a palavra...” e outras coisitas do tipo – é com as Expressões em latim.
É! Porque eu não sei quem foi o espertinho que inventou essa história de que advogado além de falar difícil tem que saber latim!
Uma que gosto muito é o tal do “animus”. Para a propriedade, deve estar presente o “animus morandi”, para a posse, o “animus possidendi”. Para configurar o abuso, tem que provar o “animus abutendi”. Para incriminar o assassino, o “animus dolandi”, para o ladrão, o “animus furtandi”. E por aí vai... tem animus para coisas que nem se pode imaginar!
De qualquer forma, como só se consegue ler sobre Direito, sem dormir, até o 5º parágrafo (a não ser que se esteja estudando pra concurso ou para a prova da OAB!), vamos ao animus jocandi:
Na verdade o que me remeteu a tudo isso foi um bate-papo com um amigo, em um desses finais de semana malucos em que se marca balada com umas 3 turmas diferentes, torcendo pra dar certo com todas mas sem ter a menor idéia de como é que se vai fazer isso.
Enfim, os amigos mais antigos, aqueeeles da época em que fim de semana era cinema e pizza, casais jantando, joguinho na casa dos amigos etc., eles insistem sempre em perguntar: “ – E aí, já ta namorando? Não? Mas por quê??”
Ah, nunca acho os porquês adequados para a pergunta e me socorro no juridiquês: “– É que me falta o animus namorandi, sabe?”. Não sei ao certo se ele entendeu, mas não fez mais nenhuma pergunta, acho então que cumpri meu objetivo. Ha!
Passo o domingo pensando (é, domingos servem para isso!) que o animus namorandi faz muito sentido. Faz mais sentido do que todos os outros animus que eu já aprendi. É preciso muito ânimo, muita disposição, muita intenção pra começar um namoro, tudo de novo...
Me vem quase uma preguiça, só de pensar...juro!
Primeiro se apaixona (ou não, sei lá, eu, ao menos, nunca comecei por aí, mas...), aí depois vem aquele medo de ir adiante, de sofrer, de se decepcionar etc e tal. Daí vem aquela parte de conhecer alguém do zero, tudo de novo. E se deslumbrar, e se surpreender e depois se acostumar. Vem então o processo de passar o currículo pros amigos, apresentar, marcar saídas, torcer pela aprovação – porque os amigos precisam aprovar ou então vão acabar ficando de lado (é, amigos ficam de lado porque somos todos uns bobocas quando namoramos e se os amigos não são comuns...). Conhece família. E escolhe apelidos. E elege músicas. E planeja viagens...
Trabalheira danada! E vou parar por aí, na parte boa, no mar de rosas. Melhor ficar aqui pensando que namorar é bom. Quem sabe esse animus namorandi, assim, não me vem?

3 comentários:

Jo disse...

Ah Mai, conheço bem esse ponto q estás.. passei um bom tempo nele, dá uma preguiça... Mas achei a melhos das soluções: Me apaixonei pelo amigo.. rsrsrsrs economizei um monte de partes desse processo todo.. e te garanto é mt bom!!!! hauhauahuaauha

Vicente Nascimento disse...

ja quero que tu arrume um animus operandis, pra ver se tem um tempinho pra gente no meio das farras :P hehehehehe

bj

Vicente Nascimento disse...

opa errei hauhauahuha

animus namorandis (como diria o finado mussum) :P