terça-feira, 12 de setembro de 2006

Reencontro


Posso dizer que passei quase a metade de minha vida dançando. Foram 10 anos de dança com muita paixão. Tal como aqueles amores mal resolvidos, ainda passei uns dois anos tendo recaídas, "ficando" como se diz hoje em dia.
Com a dança, ou pela dança, construí grandes amizades, fiz viagens maravilhosas, vivi histórias engraçadíssimas, lapidei meu gosto musical e arrecadei muitos hematomas.
Um amor daqueles difíceis de superar. Pudera!
Em todos os "reencontros" era uma choradeira, uma choradeira, uma saudade doída... O melhor era evitar ver mesmo, cortar relações, deixar pra lá, o que os olhos não vêem... Mas não dava! Era saber onde estava, lá estava eu, olhos marejados, uma saudaaaaade.
Mas é assim mesmo que acontece: outras responsabilidades, cistos no joelho, vestibulares, e aquele grande amor da vida fica lá atrás, guardado em lembranças e fotos.
É claro que ficou, por muito tempo (e não é assim com amores mal resolvidos???), aquela esperançazinha de, quem sabe, um dia, de repente, eu posso voltar... Ainda que a vida prove por A + B que não é isso que acontecerá e que o sonho de ser bailarina (acorda!), é coisa de criança!!! Imagina, viver de dançar, onde já se viu?
Enfim. Ontem, muitos anos depois, tive um reencontro. E dos bons! Fui assistir o espetáculo (e que espetáculo!) do Grupo Corpo no Palácio das Artes.
Um nervoso antes de começar, já que não ficaria nada bonito pra minha cara abrir o berreiro rodeada de pessoas desconhecidas, sem ninguém pra segurar a minha mão...
Mas as sensações foram ótimas! O amor da aspirante à bailarina, este aquietou-se. Os olhos ficaram marejados sim, mas por causa de um outro amor, o amor da espectadora, que agora sabe admirar e se emocionar, quietinha lá da platéia. Sem saudades doloridas. Só a contemplação. E isso agora lhe basta!

3 comentários:

Od Junior disse...

Não sabia dessa...
Viu como não falta inspiração? :)

Mami disse...

Que maravilha de texto estava curiosa para saber as sensações sentidas pela minha eterna bailarina na plateia não precisa me dizer mais nada.

Renata disse...

Ai ai... Só maravilhas culturais hein, amiga.
Queria ir tb pra segurar na tua mão e sentir frio na barriga.
Aproveita mais esses meses de possibilidades por aí.
Muitos beijos.