sábado, 19 de março de 2011
O Dramin, o Rio e o Ondjaki
É que tava aqui lembrando do quanto me faltava espírito carnavalesco enquanto rumava ao RJ. E aí tomei um dramin para apagar e acordar lá no Galeão pronta para ser contaminada pelos fanfarrões ao redor.
Acontece que no meio do caminho havia Fortaleza. Havia duas horas no aeroporto de Fortaleza no meio do caminho. Dopada, não conseguia manter a cabeça ereta. Muito menos os olhos abertos. E me apavorava com a ideia de perder o voo e passar o carnaval no Beach Park. Pensei em escrever num papel o numero do voo, horário e destino para que algum bom samaritano me acordasse para o embarque. Não tinha forças pra escrever. E decidi que era exagero. Não era: num acordar sobressaltado entrei na fila do embarque de um voo para Campinas. Fui barrada, ufa! Ainda preferiria o Beach Park.
Alcançado o destino correto, um pouco grogue mas já bem dona de mim, uma fatia de escola de samba me recebe no desembarque. Putz, não fui contaminada. Achei a mulata feia, as roupas de mau-gosto, a bateria descompassada. Problemão!
Mas o Rio, sábio, macaco-velho, cheio de manha, tascou na minha frente um dos meus escritores "nova-safra" favoritos: Ondjaki, fofo, angolano, por quem tenho enorme carinho e de quem levava um livro na bolsa que pretendia ler na viagem, pretensão frustrada pelo dramin. Sentei ao lado dele pra esperar o ônibus e enquanto ele fumava um cigarro que não me incomodou, eu ri de canto de boca já contaminada pela receptividade personalizada do Rio de Janeiro.
No ônibus, fui lendo Ondjaki atééééé Copacabana, e ele me disse assim ó:
"Sabes o que é não sentir o coração e sentir o coração, tud' uma batida só, sangue leve no peito e lágrimas limpas a escorrer? Faz conta foste na pesca, rede e tudo, e em vez do peixe grande meteste a rede na água e te veio uma nuvem? Se é impossível? Eu sei lá, avilo, eu sei lá... Desde candengue que ando então a ver as nuvens dançar nas peles do mar, e me pergunto: assim calminho, liso tipo carapinha com desfrise, o mar não tem as nuvens dele também? De onde eu venho é muito longe, por isso, juro mesmo, nasci de novo. Vou te confessar: espanto é só aquilo que ainda nunca tínhamos vivido com a nossa pele!
Avilo, desculpa tanta filosofia, o que tenho é sede mesmo.
Num tenho dinheiro, num vale a pena te baldar. Mas, epá, vamos só desequilibrar umas birras (cervejas); sentas aí, nas calmas, eu te pago em estória, isso mesmo, pura estória daquelas com peso de antigamente, nada de invencionices de baixa categoria, estorietas, coisas dos artistas: pura verdade, só acontecimentos factuais mesmo. A vida não é um carnaval? Vou te mostrar alguns dançarinos, damos e damas, diabo e Deus, a maka da existência."
Duas primeiras lições do Carnaval:
1 - Dramin, nunca mais;
2 - O Rio tem todas as manhas pra me conquistar, até quando eu ACHO que estou difícil!
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Palavra de Rainha
A menina conseguiu o número do celular do Presidente do Clube. Ligava insistentemente e dizia que queria ser Rainha. O Presidente, não muito paciente, disse-lhe que ela devia ser indicada por uma agência, "não é assim, eu quero e pronto, minha filha", haveria uma pré-seleção no clube. Mas a menina não conhecia ninguém. Só tinha o telefone do Presidente. E seguiu ligando. "Seu Fulano, o senhor não tá entendendo. Eu vou ser a Rainha! Eu só preciso ser a escolhida do clube, porque se eu tiver clube, eu vou ser a Rainha das Rainhas".O impaciente (e, a essa altura, já implicante) Presidente entrou em contato com uma agência e pediu que recebessem a menina, mas já guardou-lhe o nome na cabeça para um eventual boicote. Menina impertinente! Aliás, baixinha, não tãããão bonita assim, e impertinente!
No dia da pré-seleção, a pequena liga de novo. "É que eu quero o meu biquine com antecedência. Tem que ser o mais bonito e vou fazer a maquiagem conforme a cor dele, blábláblá". Venceu pelo cansaço. Escolheu o biquine. E o Presidente impaciente-implicante já sublinhava em vermelho o nome dela na sua lista negra mental.
Eram 11 meninas. Ela não era a mais bonita. Ou era? Talvez nem a segunda mais bonita. Ou não? Parece que não seria preciso intervir. Ou seria? Deixasse nas mãos dos jurados. Acontece que a menina, a baixinha impertinente, estava mesmo decidida a ser Rainha, e entrou Rainha, com a maquiagem composta com o biquine mais bonito, cheia de garbo, e apagou todas as outras. A decisão dos jurados foi unânime. Inquestionável. E a menina olhou pro Presidente com aquela cara de "Eu disse!". E o Presidente já olhou para a menina com outros olhos: "Será?".
Tá. Mas a parte mais bacana da história vem agora. Segue o diálogo da última ligação da menina impertinente ao, agora, empolgado Presidente:
"Seu Fulano, tem um problema que a gente tem que resolver. Eu não tenho vergonha de onde eu moro, muito pelo contrário, tenho orgulho da minha origem humilde. Mas é que minha casa é muito pequena, o lugar é meio perigoso, o acesso é difícil. Aí, eu tava aqui pensando em como é que os repórteres vem filmar meu café da manhã? Será que a gente pode fazer o café da manhã no clube? O senhor não acha melhor?"
[Explica-se: É que no dia seguinte ao concurso, uma equipe de TV vai à casa da VENCEDORA acompanhar o 1º dia da nova Rainha das Rainhas do Carnaval Paraense, faz entrevista durante o café da manhã e depois passa tudinho no Jornal local]
"Mas menina, como é que tu já estás pensando no café da manhã do dia seguinte ao concurso? Falta mais de um mês! Fantasia ainda nem tá pronta..."
"É que eu já disse pro senhor que eu vou ser a Rainha!"
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1- Pra quem não sabe o que é o concurso "Rainha das Rainhas do Carnaval Paraense": http://pt.wikipedia.org/wiki/Rainha_das_Rainhas_do_Carnaval_de_Bel%C3%A9m
2- Faltam 20 dias pro concurso. No dia seguinte, independente do resultado, divulgo clube e candidata personagens do post. Se o Presidente permitir, é claro.
3- Juro que se essa menina ganhar vou lá apertar-lhe a mão e pegar um cadinho dessa auto-confiança. E, olha, se ela não ganhar, também!
4- Adoro o Rainha das Rainhas, me divirto, simples assim. Adoro os códigos próprios, adoro os sobrenomes da high-society disputando faixa com as meninas impertinentes, adoro as coreografias e a paixão dos coreógrafos, adoro as rivalidades entre os clubes como se fosse futebol, e adoro toda essa cafonice cultural que deve mesmo ser incompreensível pra quem é de fora.
5- Não torço pra ninguém cair! (Mas que elas caem, ah, isso, caem)
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Enxergar é preciso
A ideia não é expor a miopia tardiamente diagnosticada da minha irmã, até porque ela nem curte que eu propague essa história por aí (mal sabe que já perdi a conta de quantas vezes contei...).
A ideia é explicar essa sensação de, de repente, pôr óculos e passar a ver nitidamente o que sempre esteve ali na tua frente, todos vendo, todos te descrevendo, mas por conta de uma miopia emocional momentânea, não se enxergava muito bem. Até que um dia, naturalmente, a vida lhe põe os óculos.
E aí a coisa vai desembaçando, vai ganhando contornos - num processo bem mais lento do que a correção da visão da minha irmã, é claro - mas uma hora vai deixar de ser borrão por completo e, como se fossem novos, os olhos tudo verão!
A minha miopia não é nada que me classifique como PNE, ainda que me cause alguns transtornoszinhos por não ter muita afinidade com lentes de contato. Mas o fato é que fui vítima daquela outra. Daquela miopia, daquele astigmatismo, daquela hipermetropia, e, porque não, daquela catarata emocional. É! Não via. Nem de longe, nem de perto. Nem de binóculos, nem de lupa.
Por sorte ou por mérito, não importa, meu diagnóstico deu-se a tempo. Pus os óculos! Já começo a enxergar melhor. Tô no processo. Aquele lento e coisa e tal. Mas tô!
E pra dar uma forcinha no sucesso da recuperação, quem sabe uma acelerada porque enxergar é preciso (!), comprei óculos novos bem grandes. Vai que...né?
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Onze meses depois...
Foram meses de elocubrações até aceitar que nem sempre saberemos os porquês das coisas - assim é a vida, meus senhores - e, enfim, me rendi ao riso pelo riso.
Por sorte e para a minha boa saúde, a curiosidade que há tanto vem matando o gato, nunca me matou. Ri. Na verdade, morri de rir. Fotografei. Espalhei a história. E deixei rolar...
CENA: RIO DE JANEIRO. GERAIS. EXTERNAS. DIA/NOITE
Entra a trilha sonora do samba. Planos de paisagens do RJ. Anoitece na praia. O calçadão se ilumina. Corta para o Bairro de Botafogo. Bar lotado.
LEGENDA: Onze meses depois...
CENA: BOTECO SALVAÇÃO. INTERIOR. NOITE.
Mesa de bar. Noite festiva, animada. Maíra, Renata, Mari e Lelê comemoram o aniversário de Danielle. Todas bebem, felizes. (E o que mais a direção imaginar)
E aí que às vesperas do aniversário de 01 ano da visão daquele aviso encafifante, Lelê, pernambucana, comunica às demais personagens que terá no Rio de Janeiro uma festa muito boa de Recife chamada "Sem Loção". Dou um pulo na cadeira! (Insertar um mini-flashback). Digo que fui àquela festa. Lá mesmo, em Recife. Isso! No Carnaval do ano passado. Lelê ri cinicamente, aquele riso de quem sabe das coisas: "Então, você foi na festa da Debora Secco?"
E finalmente eu soube.
Debora Secco estava na cidade para gravar um comercial qualquer (ou algo do tipo, isso não é importante para a trama) e soube que aconteceria a festa. Hype, descolada e alternativa, teria anunciado que pretendia por lá aparecer - o que foi publicado em alguma coluna, ou revista, ou espalhou-se mesmo no boca-a-boca de sotaques de "tês" e "dês" tão queridamente pronunciados. Os organizadores da "Sem Loção", preocupadíssimos com a boa reputação da festa, teriam tratado de tomar a urgente providência. E foi assim que afixou-se na porta de entrada o fantásTico aviso: PROIBIDA A ENTRADA DE DEBORA SECCO.
Se ela foi? Jamais saberemos...
Se ela soube? Tomara. Porque a história é tão boa, tão boa, que merece ser levada na esportiva.
Eu, livre da ignorância, quase um ano depois, ri tudo de novo!
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Na praia com Helena
Bonita, longilínea, cabelos brancos cacheados (e cheios de viço!), sorriso largo, olhos de mar e sotaque paulista.
Quem levou Helena pro Rio foi seu 4º marido, e fez muito bem, pois a praia de Ipanema era a praia dela. Helena nadava "muito pra lá da arrebentação" quase todos os dias, e me mostrava o braço torneado para comprovar. Nem era preciso.
Aliás, ela estava morrendo de saudade de sua praia. É que há um ano, Helena teve um aneurisma cerebral, ficou 60 dias em coma - "Quase vou mesmo, coração parou e tudo!", ela me dizia - e agora teve que ir morar com o filho em Copacabana e nem pode fazer seus exercícios diários enquanto o fisioterapeuta não liberar. Ela já disse a ele, aos filhos, a todos, que está se sentindo ótima - o que de fato aparenta - mas prometeu não teimar.
O 1º marido de Helena era paraense. "É que vieram tantos depois desse" que ela não pôde identificar meu sotaque. Tão logo soube da minha procedência, quis pronunciar todas as palavras aprendidas: cupuaçu, jambu, Cairu... Foi quando Helena quis me acrescentar à família, me apresentaria o filho mais novo e quem sabe assim teria netinhas de olhos puxados indígenas e da cor dos dela. Encantador o humor de Helena.
E como Helena estava adiantada para a fisioterapia, achou por bem fazer uma horinha comigo na praia, a praia dela. Matou um pouco da saudade e eu não poderia ter melhor companhia. Em 30 ou 40 minutos batemos o maior papo do mundo inteiro, as boas histórias dos meus 28 anos em sotaque paraense e as boas histórias dos 70 dela em sotaque paulista, tudo ali, no sol, na areia e nas esfihas de espinafre do Mustafah em Ipanema.
Até que o relógio interveio na cena e Helena partiu à fisioterapia. Desejei ligeireza na recuperação e disse que fosse com cuidado. Ela me desejou um dia lindo e disse que eu era uma amiga adorável.
Algum tempo depois, um amigo pergunta se eu estive a manhã inteira sozinha na praia. Digo que não. Estive na praia com Helena. Acostumado aos meus gracejos, pergunta: "Sei... A Helena do Manoel Carlos, né? Na praia do Leblon?". Não, amigo, a minha Helena é de Ipanema e de Manoel Carlos não tem nada. Está muito mais pra Silvio de Abreu, Carlos Lombardi ou Gilberto Braga.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Pérolas de Reveillon
Acabo de descobrir que, na noite do reveillon, deveria comer 12 uvas, fazer 12 pedidos e guardar os caroços na carteira. Acontece que comi só 7, morrendo de rir e desconcentrada, e não tinha caroço nenhum porque eram uvas Thompson.
Será que garanto ao menos o 1º semestre?
Por que se os deuses da mandinga aceitarem esse pequeno ajuste, é só esperar chegar agosto (aniversário também é ano novo, não é?) eu como as outras 5 e fica tudo certo!
Comidas as uvas e fingidos os caroços, fui à praia pular as 7 ondinhas. Dessa vez o número estava correto (né?).
Acontece que a praia era de rio e o vento não foi convidado pro reveillon. E aí que formava uma ondinha de nada em intervalos de tempo tão grandes que quase chega 2012 e eu lá, pulando as ondas, enquanto o mundo acaba.
Acho que nem é o caso de lembrar que o arroz de lentilha desandou e virou sopa. Também não vale a pena citar o otimismo de aceitar o que nos vêm e "tomar" a lentilha numa boa, como se sopa fosse. O que só não aconteceu porque na hora de esquentar o panelão fomos jogar video-game e a "sopa" queimou.
Mas ó, os banhos, tomei todos!
E não tem Uva Thompson, lentilha queimada ou praia de rio sem vento que me embargue!
Banho de descarrego, Quebra Feitiço, Vence Demanda, Chama Dinheiro, Chora aos Meus Pés, Comigo Ninguém Pode, Atrativo do Amor etc. Alguma coisa tem que funcionar, hein!
Destaque para os ingredientes do Atrativo do Amor: Agarradinho, Carrapatinho, Chega-te a Mim, Chora aos Meus Pés, Busca Longe, Corre Atrás, Vai e Volta, e Atrativo da Perseguida (Bôta).
Abraços.
E Feliz 2011. Porque ano ímpar é mais legal.
Certo.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Um e Outro
Não há o que conversar porque não há o que resolver.
Se o que Um quer é ficar com o Outro e o que o Outro quer é correr do Um, nem a mais longa das conversas do mundo convergiria esses quereres.
A não ser que aquele Outro passasse a querer o Um... Coisa que nem Um nem Outro vislumbram no momento.
A não ser que aquele Um passasse a correr atrás do Outro... O que o Um não faria agora por ser uma grande d´uma deslealdade consigo.
É por isso que não é conversar. É conviver.
Conviver. Porque se chegar o dia em que o Outro pare de correr do Um...
Conviver. Porque se chegar o dia em que o Um possa se concentrar no Outro sem que a si se comprometa tanto...
Conviver. Porque se algum dia um desses dias chegar, e ainda houver toda essa benquerência que hoje há, que ambos ainda estejam ao alcance Um do Outro.
Conviver. Converter. Convergir. Esses verbos todos aí.
"Perderam-se" não é uma boa conjugação.
Para qualquer dos finais em que Um e Outro ainda sejam personagens da mesma história.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Viajo porque amo. Volto porque preciso.
"Acordei no meio da noite suando em bicas, tive um sonho que tava numa sala de cirurgia, aí vinha uma mulher vestida de médica e raspava meu cabelo todinho e eu ficava careca, depois vinha outro médico e me perguntava se minhas dores de cabeça eram constantes, eu dizia que sim, ele perguntava em que região da cabeça, e eu apontava com o dedo no lugar. Aí ele abriu minha cabeça com um bisturi, e saia pedacinhos do teu corpo de dentro da minha cabeça. Porra era tudo tão real, que eu acordei em pânico. Tentei deitar novamente mas não consegui. Sinto amores e ódios por você. Sinto amores e ódios repentinos por você" (Do filme, "Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te amo")Quero assistir a esse filme agora, de novo.
Quero ter o texto inteiro dele aqui comigo.
E quero, obviamente, uma vida-lazer!
Mas eu, eu viajo porque amo e só volto mesmo porque é preciso.
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Mejillas
Isso em relação aos visitantes. Sim, porque ao meu redor todos permaneciam esbeltos.
Melhor dizendo: a Argentina ME dá bochechas. Não é um fenômeno geral. É pessoal e instransferível. Como o passaporte que eu não tenho - o que aburriu o moço da imigração para o Uruguay - mas que em breve eu terei para dar boa sorte.
Mas o que eu queria mesmo era falar de bochechas. Das minhas. Rellenas de dulce de leche. Das bochechas que em castellano tem um nomezinho tão simpático que é capaz de eu me acostumar con ellas...
" - Señor, yo me quedo con esas mejillas."
O Inverno e Buenos Aires
Ah, o Inverno... este senhor charmoso...
Tem cabelos lisos que espanam o rosto e se alvoroçam com o vento.
Os olhos estão sempre semi cerrados (um charme!) pela mesma razão, o vento.
As vestes são gris. O sorriso é pequeno.
E os passos ligeiros. Fugindo do vento.
Buenos Aires, em si, é outra coisa.
Buenos Aires é um sedutor um tanto cafajeste.
Tem cabelos desgrenguenhados e a barba perfeitamente mal feita.
Um moço daquele tipo que rebuliça a vida. Que anula o juízo.
É fuerza bruta. É amores perros.
É baixo. Baixo no sentido de aplicar golpes. De passar notas falsas. De te furtar as roupas.
E apesar de tudo isso, um moço inesquecivelmente apaixonante.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Surya Namaskar
sábado, 22 de maio de 2010
Para todas as Marias
E até há alguns Joões para algumas Marias.
Digo algumas porque Marias - ainda que à procura de um João para si - sempre sobrarão, por serem tantas.
São muitas as Marias. Ah, são. Ou seria uma impressão?
Mas acontece que entre tantas Marias, e acontece que entre tantos Joões;
haverá aquela Maria e haverá aquele João,
que caminham a um: número ímpar e singular.
Por propósito ou por distração, não estão a se procurar.
Um João e uma Maria que não formam par.
- É claro que não deverão, essa Maria e esse João, ignorar uma trombada que, porventura, possam dar, um no outro, por aí.
A ligação que eu gostaria de fazer hoje
Cara, tu estás assistindo essa nova novela das 8?
Lembra daquela ultima vez que te visitei em São Paulo?
É, em 2007! E aí tu me levaste pro Satyrianas, te embuletaste com aquele espanhol lindo-maravilhoso-olhos-azuis e me abandonaste (muito bem acompanhada) com tuas amigas atrizes e loucas, lembra?
Pois então. Teve aquele carinha que conheci, achei lindo, bati papo horrores, achei que ele era totalmente meu número, cabelos ruivos e sedosos, divertido e coisa e tal.
Esse mesmo!
Lembra que fiquei toda animada, contei piada, discuti o sexo dos anjos, e até encarei uma fila enorme pra assistir uma peça com uma ex-Malhação que faria sexo com o respectivo namorado, só porque eram amigos dele?
Hahahahahaha. Lembra?
E lembra que quando eu já estava super feliz com a ideia de ter filhos ruivos ele vira pra mim num suspiro e diz "Ai, tô morrendo de saudades do meu namorado que está viajando..." e eu esculhambei porque ele deveria ter me avisado que era gay há pelo menos 3 horas?
Pois então.
Ligo na Globo, novela das 8, e lá está o guri.
Acreditas?
E morro de rir só de imaginar os comentários que viriam do outro lado da linha.
Thanks, Ana. Pelas histórias esdruxulas e pelo humor que transcende e me faz gargalhar até com piadas que não tiveram tempo de acontecer.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
TIrinhas Carnavalescas
2 - Aquele guarda-chuva coloridinho de frevo não é mero adereço carnavalesco. Ele é a única sombra-amiga-companheira possível duranTE várias horas. Bloqueador solar pra acompanhar, não custa.
3 - Quem é que pode dizer que já levou uma bofetada de um Boneco de Olinda? Não, não é pra qualquer um. E DIgo mais: vai ter mão pesada assim lá na Ladeira da MisericórDIa!
4 - Atenção! Ali pelo Largo de São Bento, quarteirão da Prefeitura de Olinda existe um buraco negro, um Triângulo das Bermudas, uma Ilha de Lost, ou qualquer coisa do gênero. Não marque encontros por ali, vai por mim!
5 - ExisTE um botão coleTIvo que é, de alguma forma, acionado todas as vezes que toca a Vassourinha e faz as pessoas pularem. Não importa quantas vezes ao DIa toque, não importa há quantas horas você está em pé. Vassourinha+Botão= Pulos.
6 - Conselhos de pernambucanos devem ser levados a sério: "Moço, como eu chego no supermercado?". Play no sotaque: "Ólhi, minha filha, você tá vendo esse caminho aqui? Pois siga. Pegue seu DÉsTIno e vá. Mar-num-saia-do-seu-DÉsTIno por nada nesse mundo, que você chega lá!". Imagina se ao invés do caminho do supermercado fosse perguntado o caminho a seguir na vida!
7- Ouvir a galera gritar em bom pérnambuquês pela Gabi Amaranto, no Rec Beat, não tem preço. Hahahahah. "DIva, DIva, DIva...". Quem precisa da Beyoncé?
8 - O Galo da Madrugada é uma experiência antropológica. PrincipalmenTE se você está no camarote do PCdoB localizado em um Motel. É!
9 - Paira no ar, o tempo todo, um conviTE irrÉsisTÍvel ao entorPÉcimento. Fato.
10 - Ir a uma balada chamada "Que Putz, Sem Loção" e se deparar com um cartaz na portaria com os DIzeres "Proibida a entrada de Débora Secco" é o tipo de coisa que só o Recife faz por você.
11 - É de uma generosidade sem tamanho dos deuses do Carnaval permitir que uma alérgica à cerveja beba intensamente por 3 dias sem qualquer reação (Skol a R$1,00!!!). Passei ao Ice nos últimos dias sem birra.
12 - Por mais fundo que se cave o prato de macaxeira da Casa de Noca, ela não acaba nunca!
13 - Desfaz-se o mito: é possível dançar frevo! Desde que em slow motion.
Obs: a lista de TIrinhas poderá crescer conforme a memória se restabelecer.
Que se chamava Carnaval, Carnaval, Carnaval...
Ao som dos clarins de momo
O povo aclama com todo andor
O elefante exaltando as suas tradições
E também seu esplendor
Olinda, este meu canto
Foi inspirado em teu louvor
entre confetes, serpentinas, venho te oferecer
Com alegria o meu amor
Olinda, quero cantar
À ti, esta canção
Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração
De amor a sonhar, minha Olinda sem igual
*a ideia era substituir a musica por um post digno do Carnaval. Mas a música é hino, e fica. Outro post virá! :-)
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Up in the air
Eu poderia escrever zilhões de coisas sobre "Up in the air". Até evitei o bate-papo pós cinema porque acho que só pararia de falar com a chegada da corriqueira rouquidão.Como adepta e entusiasta da filosofia "viajar é preciso" a identificação com a história é automática e o contexto em que se passa a trama me é muito familiar.
O fato é que há um monte do Ryan (personagem do George Clooney) nessa nossa geração cool de desapegados, descompromissados, sempre "em frente e avante" para abraçar o mundo inteiro sem na verdade abraçar ninguém.
Visto a carapuça e digo, sem pestanejar: aceitaria AGORA uma vida que significasse viajar, viajar e viajar. Conhecer gente, lugares, culturas, sem passagem de volta, sem data de retorno. Tranquilo. Vamo lá. Saudade administra-se.
Mas o quanto há de verdade nesse desapego?
Daí volta-se ao filme. "Up in the air" retrata a solidão do tal homem moderno, para quem a ausência de raízes e ligações pessoais não é um problema, mas uma maneira de viver a vida. O personagem não finca os pés, passa mais tempo em deslocamentos aéreos do que em terra. Tem mais afinidades com aeromoças e comissários de bordo do que com família e amigos. Fica mais à vontade com os procedimentos de embarque e desembarque do que em uma reunião familiar.
Claro que há muita caricatura em tudo isso, mas é possível levar uns bons tapas na cara.
Por que tanto medo de "estacionar"? Viajamos pra ir ao outro lugar ou para fugir de onde estamos? Ou porque não achamos o que procuramos? Ou porque, simplesmente, nem descobrimos o quê procurar?? Daí inventamos uma justificativa qualquer (no filme, a meta do personagem é voar 10 milhões de milhas) para dar algum sentido a essa ansia de não parar.
A cena final é perfeita em retratar essa confusão. Ryan tem, em milhagens, a possibilidade de voar para onde quiser. Poderia dar diversas voltas ao mundo. Mas termina imóvel frente a um enorme painel de embarques com incontáveis destinos a lhe piscar, sem saber pra onde ir. Qual destino, afinal, faz sentido quando não há pelo que ficar ou pelo que voltar?
Não, a vida NÃO cabe em uma mochila. E as relações pessoais são um peso IMPRESCINDÍVEL de se carregar. Necessitamos SIM dos laços para (bem) viver, ainda que estejamos nos moldando às novas formas de atá-los.
BAUMAN que me perdoe, mas, no final das contas, a vida, a modernidade, as relações, não são tão líquidas assim...
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
A gente sabe, só não lembra na hora
Aí a gente sai despejando aqueles conselhos que ninguém mais aguenta ouvir, do tipo "ocupe a cabeça", "dê tempo ao tempo", "preencha os espaços com outros conteúdos" e coisa e tal. Logo em seguifa a frase feita: "uma hora passa!"
Mas, sério, é sempre tudo isso mesmo e não outra coisa. É esse o script. Tudo um grande clichê. Somos personagens repetitivos, como nas novelas do Manoel Carlos, sem o Leblon.
A nossa sorte é que, para além das previsíveis cenas dos próximos capítulos, percebemos que, sim (!), somos co-autores dessa bagunça.
E sem ensaio, sem cortes e sem saber como vai ser o final, escolhemos um caminho pra seguir no dia seguinte e em todos os outros também. Escolhemos um caminho pra seguir e outros tantos caminhos para desviar. Porque escolher significa também (des)escolher! E desviar também pode ser um caminho. E no fim das contas nem tem certo e errado. O que tem, é o que tem.
E a gente bem sabe de tudo isso, só não lembra na hora. Acontece que, na hora, sabemos ao mesmo tempo de muitas outras coisas e não dá tempo de organizar todos os saberes. Saber demais e saber de menos, cada qual traz o seu cada qual.
Aí chega o clímax, o tão esperado momento, em slowmotion, em que percebemos que aqueles conselhos de sempre, as frases feitas, as piadas prontas, são das coisas mais bonitas desse mundo, o que no fundo, naquela desorganização de saberes, já sabíamos. Só demoramos a lembrar – o que não importa nenhum pouco, porque demorar já não tem a menor importância quando tudo fica leve.
Aliás, logo percebemos que ser leve também é das coisas mais bonitas desse mundo! Ser leve fala palavrão porque não há palavra ou palavrinha que exprima tão bem.
Ser leve tem braços pra cima, usa vestido. Ser leve tem cabelos soltos e o vestido, aquele que usa, é rodado e colorido.
E começamos a antever que o episódio já se aproxima do fim, e dá medo, dor de barriga, a maior ziquizira – tudo muito normal quando se está liberado para fazer qualquer coisa que quiser.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
Fora do roteiro.
Enfim.
Daí aviso a todo mundo que estou na fossa.
Na fossa, tive uma conversa super bem humorada com a "senhôura" minha mãe sobre amizades coloridas, na medida do possível, é claro.
Na fossa, esperei uma hora, de boa, entre banco e casa de câmbio, resolver-se uma transação financeira internacional para uma amiga.
Na fossa, corri 5km na academia, sem bico e sem tédio.
Na fossa, saí para me distrair (e esquecer da fossa...) e fui a um desfile, emendei pr´uma seresta na praça, segui para um violão cheio de Chico Buarque e ainda sobrou energia para rock, equilibrar latinhas na cabeça, 3 caipirinhas por R$10,00 e um temaki antes de voltar pra casa, às 5h da manhã.
(...)
E aí, nesse horário do dia em que tudo se esclarece - às 5h da manhã! - percebi que não há fossa nenhuma, que eu não vim com esse gene, e que o final deste episódio fugiu completamente do roteiro.






