sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Mejillas
Isso em relação aos visitantes. Sim, porque ao meu redor todos permaneciam esbeltos.
Melhor dizendo: a Argentina ME dá bochechas. Não é um fenômeno geral. É pessoal e instransferível. Como o passaporte que eu não tenho - o que aburriu o moço da imigração para o Uruguay - mas que em breve eu terei para dar boa sorte.
Mas o que eu queria mesmo era falar de bochechas. Das minhas. Rellenas de dulce de leche. Das bochechas que em castellano tem um nomezinho tão simpático que é capaz de eu me acostumar con ellas...
" - Señor, yo me quedo con esas mejillas."
O Inverno e Buenos Aires
Ah, o Inverno... este senhor charmoso...
Tem cabelos lisos que espanam o rosto e se alvoroçam com o vento.
Os olhos estão sempre semi cerrados (um charme!) pela mesma razão, o vento.
As vestes são gris. O sorriso é pequeno.
E os passos ligeiros. Fugindo do vento.
Buenos Aires, em si, é outra coisa.
Buenos Aires é um sedutor um tanto cafajeste.
Tem cabelos desgrenguenhados e a barba perfeitamente mal feita.
Um moço daquele tipo que rebuliça a vida. Que anula o juízo.
É fuerza bruta. É amores perros.
É baixo. Baixo no sentido de aplicar golpes. De passar notas falsas. De te furtar as roupas.
E apesar de tudo isso, um moço inesquecivelmente apaixonante.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
"Lá sou amiga do rei..." (ou do Príncipe)
Ah, queria muito postar dia a dia da FLIP e todos os detalhes ali vividos, mas enfim, tanto tempo já se passou e o maldito cotidiano reinou. Pra não perder as lembranças, posto o texto escrito para o www.guiart.com.br numa espécie de resumão que só fez aumentar meu banzo... E aí o que for lembrando e que tenha ficado de fora, acrescento e, pá, fica tudo certo, hehehe.
Olívia Hime disse que a primeira FLIP a gente nunca esquece e ela tem razão.
Chegar a Paraty e se deparar com as suas tendas e ornamentos, tudo montado no centro histórico e suas pedras sabão, é mesmo como entrar num mundinho mágico, um universo paralelo onde todo mundo festeja a literatura. Árvores de livros, bonecos de papel marchê na praça, balõezinhos de São João por todo lado. Uma cidade enfeitada de Manuel Bandeira.
Encantamentos à parte, assistir aos debates dos autores é maravilhoso. E exceto pela mesa badalada do Chico Buarque, cujos ingressos esgotaram em minutos, o acesso é super democrático: por R$30 assiste-se na Tenda dos Autores, por R$10 na Tenda do Telão, e caso não se consiga mais nem um, nem outro, basta estender uma canga na grama e se concentrar, o telão é visível a todos. Paulo Betti que o diga, estava sempre por ali.
Das pérolas que pude assistir, preciso citar Domingos de Oliveira, a falar de “Separações” e a invenção de uma nova moral nas relações amorosas, a nossa estaria ultrapassada; Sophie Calle e Grégoire Bouillier, ex-amantes que se reencontraram em Paraty após um rompimento por e-mail, protagonizaram a melhor lavagem de roupa suja da história; Antonio Lobo Antunes, escritor português de coração paraense, em uma ode ao oficio de escrever, foi certamente um dos pontos altos da FLIP; e claro, o Chico, que a meu ver fez o impossível: uma cidade inteira parar em silêncio absoluto para ouvir a leitura de um trecho de “Leite Derramado”, respeito que se estendeu a Milton Hatoum, seu companheiro de mesa e que não merecia menos.
Na Casa da Cultura, o pernambucano Marcelino Freire batia panela no juízo dos leitores, acompanhado do angolano Ondjaki e do carioca Marcelo Moutinho, todos autores do Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa. Dali saíram as melhores cutucadas ao (des)acordo ortográfico que se pode imaginar. E viva o trema! E viva a diferença!
Voltando aos Hime, Francis e Olívia fizeram um show lindo na Tenda dos Autores. Ele, muito feliz. Ela, muito rouca, tratou de avisar que não era gripe suína. Claro que todos tinham esperança de uma participação do Chico, o que logo se desfez quando Francis cantou “Meu Caro Amigo”: “o Chico aproveita pra também mandar lembranças, a todo o pessoal, adeus”.
E no meio de tudo isso, seguindo um burburinho de festa e cometendo a ousadia de entrar na casa do príncipe, D. João Henrique de Orleans e Bragança, me deparo com um sarau de poesias no quintal real. Uma lareira convidativa, o príncipe ao lado, e a noite termina com um flautista tocando “Carinhoso”, música preferida de Manuel Bandeira, seguida de uma proposta de abraço coletivo para ir embora sob as bênçãos dos poetas. Juro!
Na volta pra casa fica muito claro que a FLIP cumpre seu objetivo. Da primeira poltrona do ônibus, olho pra trás e a constatação é linda: todas as pessoas, sem exceção, têm livros abertos nas mãos
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* É preciso acrescentar que Paulo Betti era encontrado e reencontrado a todo momento, em todos os lugares. Ah, detalhe, 5 dias com a mesma blusa de frio. Campanha do agasalho pra ele, já!
* Ficou de fora o Davi Foenkinos. Autor francês, maluco, que se auto-intitula cômico-depressivo e de fato o é. A mesa dele foi sobre o livro "Em caso de felicidade". Um papo sobre ditados polacos inventados, um personagem dono de uma agencia de viagens para quem não viaja, outro colecionador compulsivo que frequentava o Colecionadores Anônimos (onde todos sentavam exceto aquele que colecionava momentos em pé). Dele, comprei "O Potencial Erótico da Minha Mulher" e fui toda serelepe falar francês... ele me respondeu em inglês, espanhol, português, tudo, menos francês. Ok.
*Iiiih, e a descoberta da cachaça de Paraty? Enfim, foi conhecer a Gabriela e amor ao primeiro gole. Tornou-se, a Gabriela, o nosso "Floral de Bar", hehehehe. E viva os trocadilhos!
terça-feira, 7 de julho de 2009
Vou-me embora pra Pasárgada. (1º dia - FLIP).
Rumo dos Ventos, nossa pousada, fofíssima e aconchegante, seria perfeita se não fosse a 1,5km de distância das tendas da FLIP. Ainda arriscamos uma primeira caminhada de ida, mas diante das bolhas nos pés e dos encontros com crianças de Paraty voltando da escola de máscaras contra a gripe suína, desistimos. E toma-lhe taxi daí por diante.
De cara pra FLIP – suas tendas e ornamentações – bem no centro histórico da cidade e suas pedras de sabão, impossível resistir ao charme. Árvores de livros, bonecos de papel marchê na praça, balõeszinhos de São João por todo lado. Uma cidade enfeitada de Manuel Bandeira.
Tateando o lugar e entendendo aos poucos o ambiente: Flipinha, FilpZona, Tenda dos Autores, Tenda do Telão, Tenda dos Autógrafos, Casa da Cultura e um desbravamento sem fim do centro histórico de Paraty.
Em frente ao cais, um pouco mais afastado de onde acontece a festa, restaurantes não menos charmosos, música boa e comida melhor ainda. O pedido? Um Chico Buarque, lógico, não só pelo prazer de dizer que comeu-se o Chico, mas porque era um robalo divino.
Até aí, perdi um casaco, ganhei um fã galanteador e encontrei o Paulo Betti umas três vezes. O casaco foi recuperado, o galã estava sempre em horário de serviço e o Paulo Betti me fez crer que é onipresente em Paraty, pois estava em todos os lugares ao mesmo tempo, até o final da FLIP ia acabar cumprimentando o rapaz com aquele sorrisinho típico de vizinho que se encontra diariamente no elevador, sabe?
À noite, show da Adriana Calcanhoto abriu a FLIP oficialmente. Aliás, bem chato. Não condizente com todo o resto. Maldita a hora que ela rimou ‘agora’, ‘adora’, ‘meia hora’, ‘vambora’ e ‘demora’ com a “cinza das horas”. É, porque só pode ter sido por isso.
segunda-feira, 14 de agosto de 2006
Inventário de férias



Ô coisa boa que é esse negócio de Belém do Pará! Por quê???
Porque lá tem um quarto azul liiiiindo que me abraça quando eu chego.
Porque lá tem carangueijo no toc toc (toda quarta-feira) - acho que se passasse uma semana a mais, ia voltar pra BH andando de lado.
Porque lá tem uma super turma de amigos que jogam (e se jogam, e me jogam) futebol de sabão.
Porque lá tem um pai que resolveu virar chef de cozinha e me faz O Tucunaré no Saco.
Porque lá tem um bando de Guimarães maluco que viaja junto e faz a gente morrer de rir.
Porque lá tem sushi no supermercado.
Porque lá tem Salinas todo final de semana.
Porque lá tem Orquestra Imperial na Praça do Carmo, sem o Amarante, mas com muitos amigos e todas as gerações da família.
Porque lá tem café da manhã com o sogro (vergonha), tem almoço super lotado de visitas (saudade), tem bolo da Dona Arlete pra depois, tem jantar no La Traviatta depois do cinema de domingo...