Alô você que chega antes dos portões abrirem e fica sentado na rua com cara de coitado lendo apostilas do tamanho da Bíblia. Sério. Não dá mais tempo.
Gurias dos cabelos longos, por favor, etiqueta de concurso: coque ou rabo de cavalo. As cadeiras são super coladas umas nas costas das outras e já tenho muitas coisas com quê me preocupar. Não mereço o passeio do cabelo de vocês pelo meu caderno de prova enquanto me concentro na leitura das benditas questões.
Instituições, entendam. É fisicamente impossível caber a bolsa de uma mulher nos sacos plásticos fornecidos. Cabe celular, cabe chave de carro, cabe relógio digital. Ok. Mas a bolsa inteira não, né? E também não cabem, as bolsas, em baixo das carteiras, naquele parco diâmetro de espaço. Acompanhem a moda, as bolsas estão cada vez maiores. Gigantes. Arrumem aqueles sacos de lixo, sei lá. Ou proíbam que se levem bolsas. O que não dá é pra ficar discutindo com as Maricotas esse tipo de fricote enquanto estou com os nervos a flor da pele.
Fiscais, pasmem, nós sabemos ler. Ler as instruções da prova (que podíamos ler sozinhos e em silêncio) duas vezes em voz alta não faz nenhum sentido. É como se vocês fossem aeromoças fazendo aquelas coreografias de saída de emergência e "máscaras cairão sobre as suas cabeças". Nós não estamos prestando atenção e estamos muito mais interessados em decolar e chegar. E quem não ler ou passar batido alguma informação... problema. Não é uma questão do avião cair e o ser humano morrer. Vai ser só mais um concurso em que não passou e pronto. Próximo.
Quem acorda e sai de casa pra fazer uma prova e não tem UMA caneta esferográfica preta de "corpo" transparente não vai passar no concurso. Simples assim. Ninguém deveria nem se dar ao trabalho de emprestar.
Concorrentes, queridos, me expliquem, por favor porque eu não consigo entender de jeito nenhum. Como é que se faz pra responder 100 questões objetivas, escrever uma redação, ir no banheiro duas vezes e fazer piquenique, tudo isso em 4 horas? Eu mal consigo levantar o pescoço e o povo lá, entrando e saindo, comendo barrinha de cereal, chocolate, club social, tomando refrigerante, suco, água. Qualquer dia desses vão levar pipoca, pedir pizza. E eu lá, sem nem levantar o pescoço.
Por ora, é isso.
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segunda-feira, 28 de março de 2011
sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Sobre bolsas, bolsos e botões.

Estava eu aqui pensando com meus botões nos perrengues que nós, cidadãos da classe média brasileira, temos passado estes últimos anos. E lembrava pros botões o quanto já blasfemei, discuti, explodi, escrevi, desisti e encerrei esse assunto.
Meus botões, sábios como eles só, me disseram: "querida, o seu aperto encheu os bolsos daquelas figuras lá de cima; querida, o seu aperto deu migalhas ilusórias praqueles logo ali embaixo... enquanto isso você blasfemava, discutia e explodia,e pro seu bolso: nada! Faça como todo bom brasileiro e brinque com sua desesperança!".
Ah, botões, nem queria que fosse assim. Já não é o tempo de levar as coisas a sério, de lutar por um país melhor para todos? Já não é o tempo da interconectividade, da universalidade, não estamos todos interligados e todas essas coisas que nos levam a não olhar só para o nosso umbigo??
Ok, botões, ok, vocês venceram, já tive uma idéia. É bem pro meu umbigo mesmo, mas quem sabe se cada qual pudesse criar uma dessa pro seu não teríamos umbigos mais felizes...
No momento, e no contexto, o que eu estava precisando mesmo era de uma Bolsa-Concurso.
Ah, não é tão ruim assim! Afinal de contas, quando eu passar (ai, ai...) vou ou não vou trabalhar por este país??? Tá, no mínimo por este Estado ou por este Município dependendo da altura que alçarem estes meus vôos.
Cursinho pra concurso é caro demaaaaaaais.
As inscrições dos concursos são caras demaaaaaais.
Os livros que se tem que ler são caros demaaaaaais.
E viajar pra fazer as provas, hein, hein??? Não vou nem falar de viagens, aviões, passagens e aeroportos que aí já é demaaaaaaaais!
Daí, acaba que é preciso trabalhar o dia inteiro pra pagar o cursinho, as inscrições, comprar os livros e passagens nem que seja para provas aqui pelo Maranhão né... E qual é a hora do dia que se estuda????
O que eu sei é que, sem o Bolsa-Concurso, o país, os estados e os municípios podem estar perdendo pessoas interessadíssimas e interessantíssimas que poderiam estar estudando, cuca fresca, com um incentivozinho básico do Governo Federal... não?
E aí, botões, o que acharam?
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